Situações de Aprendizagem

  As situações de aprendizagens abaixo foram propostas e elaboradas no encontro presencial e no Forum do curso Melhor Gestão, Melhor Ensino. São interessantes e utilizam várias TDICs para desenvolver a aprendizagem tais como: textos, vídeos, músicas, além de pesquisas na internet.

I. Situação de aprendizagem proposta para ser trabalhada com o 6º ano. Gênero narrativo.

Ø  Curso Melhor Gestão, Melhor Ensino 

Avestruz

 

 Mário Prata

 

 

O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus dez anos, uma avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.

Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.

Mas eu estava falando da sua criação por deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé.

Sacanagem, Senhor!

Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.

Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!

Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.

Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.


PRATA, Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2
Caderno aluno p. 9
Caderno do Professor p. 18





CONVERSANDO SOBRE O TEXTO

  • O que você sabe sobre avestruzes?
  • Você já viu uma?
  • O que você acha que uma avestruz come?
  • Qual o tamanho da avestruz?
  • É uma ave?
  • Onde vive?
  • Qual seu habitat? 

LEITURA

1. Em silêncio, leia atentamente o texto “Avestruz”, de Mário Prata. Assinale as palavras e expressões desconhecidas.

2. Acompanhe, agora, a leitura compartilhada com toda a sala. 

3. Procedimentos: após a leitura:

Ø Construção da síntese semântica do texto:
  • Há presença de outras sequências tipológicas dentro do texto? (expositiva, informativa, descritiva, injuntiva) Justifique com passagens do texto?
  • Há indícios de outro gênero presente na narrativa? Qual?
  • Reconte oralmente o texto lido para retomada da sequência lógica dos fatos.
ENTENDENDO O TEXTO

3. Pense e responda:
a)     De acordo com o texto, a  avestruz é uma ave doméstica? Por quê?

b)    Cite 5 exemplos de animais domésticos.

c)     Onde o garoto conheceu as avestruzes?

 d) Que problemas o garoto da história teria para criar uma avestruz ou as 5 gaivotas e um urubu num apartamento?

e) O que fez com que o garoto mudasse de opinião com relação à criação da avestruz em seu apartamento?

4. Elenque 6 características da avestruz apontadas no texto.

5. Com relação ao texto “Avestruz”, podemos dizer que é uma narrativa? Por quê?

6. Qual o foco narrativo? Copie do texto um trecho que justifique sua resposta. 

7. Leia atentamente o período abaixo e responda:

“(...) Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. (...)” 

a)     Na sua opinião, quais foram os “erros” cometidos por Deus?

b)    Aponte, nessa frase, um erro ortográfico. Justifique sua resposta.

8. Explique o sentido da palavra “sacanagem” no trecho abaixo:
“Sacanagem, Senhor!” 

PESQUISA

9. Em duplas, pesquisem sobre os seguintes assuntos:
  • a vida da avestruz (o que come, qual seu habitat natural, onde é criado no Brasil, utilização de sua carne etc.).  Escrevam sobre o que aprenderam em seus cadernos, recortem e colem figuras do animal pesquisado.
  •  Vocês têm um animalzinho de estimação? Façam uma pesquisa sobre ele (porte, alimentação, brincadeiras preferidas, cuidados que requer etc.).

Utilizem a Biblioteca da escola ou o Acessa Escola para fazerem a sua pesquisa.

PRODUÇÃO DE TEXTO

10. Produza individualmente um texto narrativo (relato de experiência vivida) em 1ª pessoa (narrador-personagem), sobre seu animal de estimação. Não se esqueça de observar os elementos da narrativa que devem estar presentes em seu texto: o quê?; quem?; quando?; onde? por quê?.  

ILUSTRAÇÃO

11. Faça um bonito desenho para ilustrar seu trabalho. Você pode recortar e colar imagens ou a fotos de seu animalzinho de estimação. Seja criativo e capriche na letra. Entregue a seu professor na data combinada. 

Bibliografia

PRATA, Mário. Disponível em: http://marioprata.net/,   
acesso em 15.06.2013.

      PRATA, Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2

     Caderno aluno p. 9

     Caderno do Professor p. 18

 

Sobre o autor

 

IMG_6908

 

 

 Mario Prata é um escritor, dramaturgo, jornalista e cronista brasileiro. É natural de Uberaba, Minas Gerais, mas viveu boa parte da infância e adolescência em Lins, interior de São Paulo. Em mais de 50 anos de escrita, tem no currículo 3 mil crônicas e cerca de 80 títulos, entre romances, livros de contos, roteiros e peças teatrais. Na carreira, recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros, com obras reconhecidas no cinema, literatura, teatro e televisão.


 

Conheça um pouco mais sobre os animais que aparecem na história de Mário Prata:

 

 

A AVESTRUZ 

 

A GAIVOTA

 

 

 

O URUBU

 

II. Situação de aprendizagem proposta para ser trabalhada com o 8º ano. Gênero narrativo.

Ø  Curso Melhor Gestão, Melhor Ensino 

Meu primeiro beijo

Antônio Barreto 





     É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...

Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:

" Você é a glicose do meu metabolismo.

Te amo muito!

Paracelso"

E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.

No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:

- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.

Mas ele continuou:

- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:

- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...

Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.

Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD., 1977. p. 134-6.


Atividade oral

1) A partir do título “Meu primeiro beijo”, reflita e responda:

a) Qual é o tema do texto?

b) Quem seriam os personagens e suas faixas etárias?

2) Leia os três parágrafos iniciais do texto “Meu primeiro beijo”, de Antonio Barreto, até o trecho “E também não sei por que: resolvi  dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.”:

a) Como você imagina o desfecho desta história?

b) Após a leitura até o final do texto, suas hipóteses se confirmaram?

Atividade escrita

1) Destaque do texto os termos desconhecidos e pesquise (dicionário, internet ou enciclopédia).

2) Qual é o tipo de narrador do texto? Narrador -personagem ou narrador- observador? Transcreva uma parte a fim de justificar sua resposta.

3) Em “Seus lábios tocaram os meus”, os pronomes em destaque referem-se a quais personagens?

4) “Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram , depois diminuíram ...E  foi ficando nisso.”

Neste trecho, observa-se: 

a) (   ) a emoção do primeiro beijo vivenciada pelos personagens.

b) (   ) uma paixão correspondida.

c) (   ) a naturalidade com que os acontecimentos cotidianos  são tratados.

d) (   ) o aumento das contas telefônicas em razão do namoro dos personagens.

Intertextualidade

1) Música“Beija eu” (Marisa Monte)

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Aaaaah! ah ah ah ah! ah!
Ah! ah ah ah!
Ah! ah ah ah!
Ah ah ah!...
Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Aaaah! Aaaaah!
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!...


2) Utilizar o laboratório de informática para assistir ao clipe da música “O Xote das meninas”.


Mandacaru
Quando fulora na seca
É o sinal que a chuva chega
No sertão
Toda menina que enjôa
Da boneca
É sinal que o amor
Já chegou no coração...
Meia comprida
Não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado
Não quer mais vestir timão...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando
Sonhando acordada
O pai leva ao dotô
A filha adoentada
Não come, nem estuda
Não dorme, não quer nada...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Mas o dotô nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
Que prá tal menina
Não tem um só remédio
Em toda medicina...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Mandacaru
Quando fulora na seca
É o sinal que a chuva chega
No sertão
Toda menina que enjôa
Da boneca
É sinal que o amor
Já chegou no coração...
Meia comprida
Não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado
Não quer mais vestir timão...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
De manhã cedo já está pintada
Só vive suspirando
Sonhando acordada
O pai leva ao doutor
A filha adoentada
Não come, num estuda
Num dorme, num quer nada...
Ela só quer
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Mas o doutor nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
E que prá tal menina
Não tem um só remédio
Em toda medicina...
Ela só quer!
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...


Produção de texto

1) Redija um Relato pessoal sobre a experiência do primeiro beijo (pode ser ficcional).

2) (Atenção: Retomar as características do gênero textual  injuntivo /prescritivo)  -  Elabore uma Receita: “Meu primeiro beijo”.

Conhecendo o autor

Antônio Barreto


Ministro de Flag of Portugal.svg Portugal
Mandato I Governo Constitucional
  • Ministro do Comércio e Turismo
  • Ministro da Agricultura e Pescas
Vida
Nascimento 30 de Outubro de 1942 (70 anos)
Porto
Partido Partido Comunista (1963-1970)
Partido Socialista (1974-1978)
Movimento dos Reformadores (1978-1983) (parte da Aliança Democrática, 1979-1983)
independente (1983-1987, incluindo uma passagem pelo Primeiro Movimento de Apoio Soares à Presidência)
PS (1987-1999?)
independente (1999-?)
Profissão Cientista social e cronista

 

Bibliografia

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.





III. Situação de aprendizagem proposta para ser trabalhada com o 9º ano e Ensino Médio. 
Gênero narrativo.

Ø  Curso Melhor Gestão, Melhor Ensino



Pausa

Moacyr Scliar

 


Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama,correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:

— Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.

— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido,secamente

Ela olhou os sanduíches:

— Por que não vens almoçar?

— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:

— Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras.Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.

Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

 - Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.

Samuel subiu quatro lances de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade: 

- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.

Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave.Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido;com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.

Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.

Dormir.

Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente:ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama,correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.

- Já vai, seu Isidoro?

 - Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou,conferiu o troco em silêncio.

- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.

Samuel saiu.

Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante,ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois,seguiu. Para casa.

acesso em 15.06.2013.



OBJETIVOS:   Levar o aluno a compreender o gênero textual apresentado, valorizar competência leitora, observar a pontuação utilizada,antecipar a idéia principal a partir do titilo, identificar palavras chave,construção do sentido global do texto.

Público alvo: 9º ano e Ensino Médio.

Procedimentos:

Levantar hipóteses a respeito do texto, associando à vida do aluno, observando o título.
Definir os objetivos de leitura (já mencionados).


Análise do texto “Pausa”   de Moacyr Scliar.

1.      A qual gênero textual pertence o texto lido e quais as suas características principais?

2.      Qual o foco narrativo? Justifique com um fragmento do texto.

3.      Qual é a idia central do texto? (TEMA)

4.      Mencionar as características físicas e psicológicas da personagem principal.

5.      Qual a intenção do personagem Samuel ao mudar seu nome?

6.      O que leva o personagem principal a sair todos os domingos?

7.      Aspectos linguísticos: Há presença de discurso direto no texto? Justifique com uma passagem do texto.

8.      Qual tempo verbal predominante no texto?

9.      Qual sua opinião em relação ao comportamento do personagem?

10.  Que outro final você daria ao texto? 

11.  Realize uma pesquisa biográfica sobre o autor usando a internet.

Conhecendo o autor

Moacyr Scliar


 Bibliografia

  Publicação correlata:

 http://www.gelne.org.br/Site/arquivostrab/598-GELNE%202.pdfhttp://www.gelne.org.br/Site/arquivostrab/598-GELNE%202.pdf

 



IV. Situação de aprendizagem proposta para ser trabalhada com o 9º ano e Ensino Médio. 
Gênero narrativo.

Ø  Curso Melhor Gestão, Melhor Ensino



Meu primeiro beijo

Antônio Barreto 




DISCIPLINA: Língua Portuguesa

PÚBLICO-ALVO: 8ª série /9º ano
 
TEMPO PREVISTO: 4 aulas

CONTEÚDO: Leitura e análise de texto; discurso direto e indireto; 
sentido conotativo e denotativo; relato de experiência vivida; 
intertextualidade e interdiscursividade.

OBJETIVOS:

·        Desenvolver as habilidades leitora e escritora;

·        Perceber a intertextualidade e interdiscursividade;

·        Refletir sobre experiências vividas;

·        Produzir relato.

COMPETÊNCIAS/ HABILIDADES: Desenvolver os conteúdos
 propostos através da competência leitora e escritora.

ESTRATÉGIAS:

·        Propor uma roda de conversa para refletir sobre as possíveis
 experiências que eles tiveram com o primeiro beijo, ou como seria, 
expondo opinião sobre o tema;

·        Colocar um trecho do filme: "Meu primeiro amor" e "De repente 30"
 para explicitar o significado do beijo de forma afetuosa e mostrar a 
intertextualidade com o texto;

·        Em seguida, o professor realiza a leitura do texto usando estratégia
 de inferência, levantando hipóteses do sentido global do mesmo;

·        Feita a leitura do texto e a oralidade insere-se a atividade escrita:

1-     Qual é o tema tratado no texto?

2-     Indique quem são as personagens do texto.

3-     A partir de alguns indícios do texto tente descrever estas personagens
 fisicamente e psicologicamente.

4-     Qual é o foco narrativo do texto? Justifique.

5-     Qual sua opinião sobre o texto lido?

·         Após a leitura fazer levantamento de algumas palavras desconhecidas
 no dicionário;

·         Explorar característica do gênero textual relato. Trabalhar a descrição, 
por abordar bastante este sentido através de trechos destacados no texto;

·        Trabalhar o discurso direto e indireto. Trabalhar sentido 
conotativo e denotativo. 

·        Verificar a intertextualidade com os filmes, músicas;

·         Fazer com que os alunos tomem conhecimento sobre a biografia
 do autor;

·        Produção escrita (individual) de um relato de experiência vivida;

·        Após a devolutiva do professor quanto a correção, os alunos farão
 um varal para compartilhar as produções.

RECURSOS: TV, trechos de filmes, cópias dos textos, folha sulfite.

AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados durante o decorrer das aulas, 
quanto a participação e produção das atividades.
 

Assista ao filme acessando o link abaixo:

MEU PRIMEIRO AMOR - FILME COMPLETO

DE REPENTE 30 - TRAILER OFICIAL

Bibliografia



   
V. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM – 
“DONA SOL, DONA LUA” (CONTO PERSA)

DISCIPLINA: Língua Portuguesa

PÚBLICO-ALVO: 6ª série C/7º ano

TEMPO PREVISTO: 4 aulas

CONTEÚDO: Leitura e análise de texto; discurso direto e indireto; 
características do conto (estrutura); produção de uma breve encenação
 do conto.

OBJETIVOS:

·        Desenvolver habilidades leitora e escritora;

·        Trabalhar as características do conto;

·        Refletir sobre o uso do discurso direto e indireto;

·        Produzir uma breve encenação sobre o conto;

·        Trabalhar valores tais como amizade, compreensão, união e respeito.

COMPETÊNCIAS/ HABILIDADES: Desenvolver os conteúdos 
propostos através da competência leitora e escritora.

ESTRATÉGIAS:

·        Propor  uma roda de conversa para refletir sobre o conteúdo do conto;

·        Em seguida, o professor realizará a leitura do texto usando estratégia
 de inferência, levantando  hipóteses do sentido global do mesmo;

·         Após a leitura fazer levantamento de algumas palavras desconhecidas
usando o dicionário;

·         Explorar características do gênero textual conto.

·        Reconhecer elementos da narrativa no conto: personagens, tempo,
espaço, enredo e foco narrativo;

·        Trabalhar o discurso direto e indireto. 

·        Instigar os alunos a perceberem a presença de valores dentro
 do conto e o propósito destes para um bom convívio em grupo;

·        Elaborar coletivamente questões para realizar a interpretação
 do conto;

·        Após a devolutiva do professor quanto a correção, os alunos 
produzirão uma breve encenação do conto.

RECURSOS: Cópias dos textos, folha sulfite e fantoches para a encenação.

AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados durante o decorrer das
 aulas, quanto
 a participação e produção das atividades.

QUESTÕES PARA ANÁLISE DO CONTO

1.      A qual gênero textual pertence o texto lido e quais as suas características 
principais?

2.      Qual o foco narrativo? Justifique com um fragmento do texto.

3.      Qual é a idéia central do texto? (TEMA)

4.      Quais são as personagens do conto?

5.      Qual a intenção das personagens Dona Sol e Dona Lua ao pregarem uma
 “peça” nos animais da campina?

6.      O que leva o personagem principal a sair todos os domingos?

7.      Aspectos linguísticos: Há presença de discurso direto no texto? Justifique 
com uma passagem do texto.

8.      Qual tempo verbal predominante no texto?

9.      Qual sua opinião em relação ao comportamento do personagem?

10.  Que outro final você daria ao texto?











Nenhum comentário:

Postar um comentário